
Tira-me o pão, se queres
tira-me o ar, porém nunca
me tires o teu riso
Não me tires a rosa,
a lança que debulhas,
a água que de repente
em tua alegria estala
essa onda repentina
de prata que te nasce.
De áspera luta volto
com olhos fatigados
por vezes de ter visto
a terra que não muda,
mas ao chegar teu riso
sobe ao céu me buscando,
e abre para mim todas
as portas desta vida.
Amor meu, no momento
mais escuro desata
o teu riso, e se acaso
vês que meu sangue manhca
as pedras do caminho,
ri, porque teu riso
será, em minhas mãos,
como uma espada fresca.
(Os Versos do Capitão - Pablo Neruda)


